Mas ok. Nosso quinto dia não foi nada mau. Na verdade, foi bom até demais. É claro que pra compensar o lado legal da coisa, precisava ter um lado irritante: acordamos às 5 da manhã para ir de furgão até os Geisers del Tatio.
Para quem não sabe, Geiseres são essas coisas aqui:

São como mini-vulcões de vapor quente. Soltam esse vapor (alguns até borbulham a água) quando a pressão embaixo da terra está grande demais. Isso só acontece quando está muito frio do lado de fora (por isso tivemos de ir tão cedo), pois quando o clima esquenta, a pressão atmosférica muda e as coisas se regulam um pouco.
Ver os geisers é muito viajante, mas o legal mesmo foi ver nosso café da manhã sendo esquentado:

Os geiseres estão a mais de 4000m acima do nível do mar, o que é uma altitude razoável, e já provoca tontura em algumas pessoas. A menina de 10 anos que estava com a gente desmaiou lá, e o Lucca ficou bem sonolento -- uma combinação da altitude com o fato de ter acordado cedo demais. Eu, a Flávia e meu pai não sentimos diferença, o que pra mim foi uma ótima notícia e um grande incentivo para o que me aguardava em meu último dia no Atacama.




Pra irritar meu namorado, eu preciso dizer que foi nesse passeio o meu primeiro contato com o guia mais legal de todos. O motivo dele ser legal será explicado no último dia; por enquanto fica claro apenas que, se eu tivesse uns 30 anos e um pouco menos de exigências... brincadeira. Prefiro meu momo mesmo <3
Depois de visitar as duas galerias de geisers e ter meus pés congelados, voltei ao furgão e... precisei esperar mais uns bons 10 minutos para conseguir ir ao banheiro. A fila estava enorme. Mulheres... deve ser por isso que gosto de homens.
Depois de ir ao banheiro, passamos por uma espécie de laguinho cheio de patos:

Não sei porque eles carregavam esse mato. Depositavam-no em lugares aleatórios, aparentemente sem motivo nenhum. Sei lá.
Depois da lagoa dos patos, fomos a uma vila que tem a surpreendente população de três habitantes fixos. É. Dá pra imaginar o motivo para termos de pagar até para ir ao banheiro... ou para tirar fotos com a lhama:

Eu não gosto muito dessa coisa de deixar o bicho preso o dia todo pra tirar fotos, e sinceramente fiz o possível para não incomodá-lo: quando cheguei perto, essa lhama (lindinha demais) estava meio receosa, e preferi deixar que ela se acostumasse comigo antes de fazer carinho. Assim que tirei essa foto, vieram três mulheres brasileiras e tremendamente tapadas que agarraram, as três de uma vez, a pobre lhama que não pôde fazer nada além de tentar correr para todos os lados. Turista sabe ser retardado.

Mas eu não posso falar muita coisa, já que é difícil encontrar brasileiro que fale (ou entenda) espanhol pior que eu. A única vez que me aventurei a falar algo além de "gracias", "si", "no" e "tiene jugo?" foi no meu último dia no deserto, e foi bem, BEM desastroso. Mas acabou virando motivo pra eu rir quando lembro, então tanto faz.
Aqui estão mais algumas fotos da pequena vila:



Isso é uma vicunha, parente das lhamas. Assim como as primas, vicunhas são organizadas e usam todas o mesmo banheiro! Achei isso tão legal que, em geral, é a primeira coisa que conto quando me pedem para dizer como foi a viagem.
Como o passeio durou mais de 6h, não pudemos fazer outro à tarde, e passamos o dia duro e infeliz sofrendo no hotel.

Bye bye, até o próximo post!
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